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As medidas de confinamento impactaram a vida de todos em 2020. No meio digital, o interesse por informações sobre a pandemia desencadeou a propagação de diversas campanhas de desinformação, especialmente nas redes sociais, com o objetivo de manipular a opinião pública ou, simplesmente, criar um ambiente de desordem. Além disso, a migração de trabalhos, atividades e serviços para o digital aumentou o potencial dos ciberataques, como phishing e ransomware, lançados em ainda maior intensidade ao longo do ano.

Segundo Dmitry Bestuzhev, diretor da equipe latino-americana de pesquisa e análise da Kaspersky, 2021 será mais um ano desafiador do ponto de vista da diversidade e complexidade dos ataques. “A tendência de manter a maioria de nossas atividades pela internet continuará, pelo menos, até meados do ano que vem. Isso significa terreno fértil para os cibercriminosos continuarem com suas campanhas de fraude, roubo e extorsão. Além disso, os ataques com maior potencial de lucro, que visam empresas e instituições públicas, serão mais coordenados e, portanto, mais danosos”, alerta.

Previsões para 2021

  • Desenvolvimento local de ransomware direcionado – atualmente, as famílias usadas ​​em ataques na AL vêm de outras regiões. Os cibercriminosos latinos geralmente copiam as técnicas de seus colegas do Leste Europeu. No entanto, é possível antecipar o desenvolvimento local desse tipo de ameaça.
  • Aumento e diversificação dos ataques dirigidos aos sistemas financeiros por grupos de cibercriminosos locais. O mais preocupante é o aumento de ofertas de contratantes para projetar e lançar ataques no mercado. Em outras palavras, haverá uma espécie de terceirização no estilo “hacker de aluguel” de serviços cibercriminosos com o objetivo de atacar instituições financeiras.
  • Amadurecimento dos golpes financeiros para Android com acesso remoto (malware RAT – Remote Administration Tool). Com a transição das ferramentas bancárias para os dispositivos móveis, os mesmos cibercriminosos que estão atacando os sistemas financeiros no desktop diversificarão suas campanhas, produzindo códigos maliciosos também para aparelhos móveis. Isso os permitirá aumentar os lucros com relativamente menos esforço, quando comparados aos ataques tradicionais a esses sistemas.
  • Mais famílias de trojans brasileiros vão expandir suas operações pelo mundo, como acontece com Tétrade, Bizarro e Lampion. Algumas famílias podem até operar compartilhando a mesma infraestrutura para ganhar maior agilidade.
  • Ataques aos sistemas de ponto de venda (PoS) e sua comercialização para massificá-los por meio de esquemas MaaS (Malware as a Service).
  • Aumento no roubo (account-takeover) do WhatsApp. Hoje, os criminosos fazem isso usando a engenharia social: pedem os dígitos de autenticação (OTP) recebidos por SMS e solicitam dinheiro aos contatos das vítimas. Porém, em um futuro próximo, isso será ainda mais atraente para os fraudadores devido ao WhatsApp Pay.
  • Ataques coordenados a empresas e instituições públicas com o objetivo de roubo de informação e posterior divulgação nas redes sociais. Um quadro de circunstâncias criado na região permitiu que esses ataques existissem. Porém, seu alcance será ainda maior em 2021. As informações roubadas não serão necessariamente publicadas imediatamente, mas serão salvas até o momento apropriado, de acordo com as convulsões sociais de cada país. Essas informações também serão colocadas em leilão, e comercializadas para aqueles que derem o lance mais alto, cujas finalidades serão diversas.
  • Golpes visando roubo de informações privadas (informações de identificação pessoal – PII, sigla em inglês) se aproveitando do trabalho remoto e da aprendizagem online. Os alvos serão escolas, universidades e plataformas virtuais de aprendizagem. O aumento do uso dessas tecnologias e o valor dessas informações (tanto para seus proprietários quanto nos mercados ilegais) causarão uma explosão acentuada de ataques a esses setores.
  • Maior interesse das empresas nos “seguros cibernéticos”. Embora os seguros contra ciberataques já existam há muito tempo – e em outras regiões do mundo já seja comum –, somente em 2021 veremos que o número de ataques e vazamentos de dados forçará as empresas latino-americanas a dedicar parte de seus orçamento para contratar este serviço.
  • Uso de técnicas de inteligência artificial para orquestrar campanhas de desinformação ou disseminação de código malicioso. Hoje, a IA é usada para proteger os usuários por meio de disciplinas como “machine learning”. No entanto, em 2021, serão os cibercriminosos que começarão a ver o valor de usar estruturas e mecanismos de aprendizado de máquina para tornar a detecção de suas campanhas maliciosas ainda mais difícil.

A previsão de 2021 para a América Latina foi desenvolvida por especialistas da Kaspersky com base na experiência e nas análises da empresa ao longo do ano. Essas perspectivas, com foco na América Latina, visam ajudar as organizações e as pessoas a compreender os desafios de segurança para os próximos 12 meses e, dessa forma, preparar-se para enfrentá-los.



from Notícias – Blog oficial da Kaspersky https://ift.tt/36lhEYv

À medida que a Internet se aproxima de sua quarta década, vale lembrar que, nesse curto período de tempo, assistimos a mudanças globais monumentais, tanto no mundo real quanto, claro, no mundo digital.

Dito isso, as discussões no XV Fórum de Governança da Internet incluíram mais de 200 sessões focadas em dados, meio ambiente, inclusão e confiança. Devido ao COVID-19, este ano foi realizado em formato digital e a mesa redonda sobre segurança na Internet incluiu Eugene Kaspersky.

 

Além de Eugene e sua palestra sobre cibersegurança e transparência, o evento incluiu muitas outras excelentes discussões. Alguns membros da equipe Kaspersky, incluindo Felix Aimé da Equipe Global de Pesquisa e Análise (GReAT), discutiram o stalkerware, as possíveis maneiras de enfrentá-lo e como as equipes de pesquisadores (incluindo a nossa) podem aumentar a conscientização sobre o problema.

Para obter mais informações sobre stalkerware, o que é e como funciona, acesse a página Coalition Against Stalkerware.

A partir daí, nos deparamos com a questão extremamente capciosa da confiança na cadeia de suprimentos e, acima de tudo, com a difícil tarefa de garantir a confiança em uma supply chain global.

 

Ao longo do evento, refletiu-se a dedicação de todos os envolvidos: entidades privadas, governos e particulares. Todos estão trabalhando incansavelmente para construir uma Internet mais segura e aberta.

Também realizamos nosso evento Iniciativa de Transparência Global, que analisou a confiança, a transparência e o futuro, sem falar na ideia de que a confiança pode ser conquistada por meio da abertura e da transparência; falar em ruptura total da confiança não é realmente um fato. Não é raro, encontramos histórias constantemente sobre a fratura da internet e o que uma internet balcanizada significaria para pessoas e empresas em todo o mundo. O futuro não tem que ser assim.



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Se o consumidor já deve ficar atento com promoções que pareçam muito generosas nesta Black Friday, o cuidado deve ser redobrado as que forem brindes ou vales-compra “gratuitos”. Um golpe que vem circulando nos últimos dias tenta se aproveitar da avidez por benefícios nesta data para roubar dados pessoais.

A fraude descoberta por nossa equipe de investigação e análise começa com uma mensagem disparada por redes sociais. Ela oferece de graça uma cafeteira de uma famosa marca, sem sorteio. Para receber o produto, o usuário precisa acessar um link e responder a um questionário – “respondeu, ganhou!”, afirma a mensagem.

Ao iniciar o questionário, o internauta é direcionado para outra página, sobre um “vale-presente” de R$ 2 mil. A qualificação para o prêmio é condicionada à inscrição de dados pessoais: nome, e-mail, data de nascimento e telefone. Por fim, a vítima precisa selecionar o termo aceitando que esses dados sejam compartilhados com “patrocinadores” e divulgados pelo organizador.

“Não é possível mensurar quantas pessoas já caíram, mas imagino que sejam muitas, pois a mensagem está circulando massivamente, e coloca condições muito simples para o consumidor: pede dados que ele normalmente não se importa em compartilhar e, mesmo aqueles que desconfiam, podem acabar ‘pagando para ver’, pois acham que não têm nada a perder”, afirma Fabio Assolini, nosso analista de segurança sênior no Brasil.

O especialista explica que essas campanhas são chamadas de phishing, pois utilizam temas populares como “isca” para induzir usuários a informar seus dados aos golpistas, que irão cometer crimes: fraudes financeiras, compras online fraudulentas, entre outros delitos. O Brasil é o quinto país mais atacado por phishing.

No caso deste golpe recém-descoberto, ele explica alguns sinais que evidenciam a fraude, e aos quais o consumidor pode prestar atenção quando receber “ofertas” pelas redes sociais: “Já começa com a URL encontrada: um domínio hospedado em site estrangeiro. Isso é feito pelos criminosos para dificultar sua remoção, devido às diferenças na língua e no fuso horário. Outro indício é o fato de, logo no início do questionário, os organizadores pedirem ao participante compartilhar a oferta com os amigos nas redes sociais. Isso permite que não apenas a mensagem seja disseminada, como aqueles que recebam tenham mais confiança, pois irão receber de um contato próximo”, acrescenta.

Prejuízos às vítimas

As vítimas deste golpe podem ter prejuízos como o cadastramento de seu número de celular em serviços premium de telefonia (o que acarretará cobranças indevidas nas contas no fim do mês), comercialização por empresas de marketing ou até mesmo clonagem de WhatsApp.

Na última semana, nossos pesquisadores observaram crescimento de 9% nas atividades fraudulentas no período pré-Black Friday na América Latina em comparação ao ano passado. Foram encontrados cerca de 200 ataques de phishing por minuto na região, a maioria no Brasil.

Dicas para compras seguras

  • Verifique o endereço (URL) antes de clicar no link – às vezes ele pode ser diferente daquele que está visível. Em caso afirmativo, acesse a página da oferta da loja digitando diretamente o endereço correto.
  • Faça compras nas lojas oficiais. Caso haja dúvida sobre a reputação da loja, pesquise nos serviços de reclamação.
  • Tenha com uma solução de segurança com tecnologias anti-phishing que notifique se você estiver tentando visitar uma página fraudulenta.
  • Use senhas únicas para cada site ou serviço. Caso você use apenas uma senha, se ela for roubada, todos os serviços estarão comprometidos. Se quiser facilidade, use um bom gerenciador.


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Nossos pesquisadores observaram aumento de 9% nas atividades fraudulentas no período que antecede a Black Friday. No período de 29/10 a 18/11, detectamos 196 ataques de phishing por minuto na América Latina – é a tática mais usada para roubar credenciais (logins e senhas) e clonar cartões de crédito das vítimas para acessar serviços online, como sites de e-commerce.

As promoções para a Black Friday costumam começar algumas semanas antes. Porém, o ano de 2020 está sendo único em diversos aspectos. Devido aos impactos da pandemia no varejo, muitas lojas expandiram as ofertas durante o mês de novembro. Tal atividade poderia aumentar o interesse dos cibercriminosos, mas não é isso que nossos experts identificaram ao analisar as detecções de phishing na região. De acordo com Fabio Assolini, analista sênior do time de investigação e análise (GReAT), foram bloqueadas 5,9 milhões de tentativas de acesso a sites de phishing na América Latina no período de 29/10 a 18/11 deste ano – média de 196 detecções por minuto. Em 2019, este número foi de 5,4 milhões no mesmo período – aumento de 9% na comparação ano-a-ano.

“A Black Friday é uma data muito especial. Já é tradição em muitos países latinos e não surpreende crescimento nos ataques. Mas é curioso haver uma tendência de leve queda nas atividades maliciosas”, diz Assolini. “Revisando as detecções por país, somente na Argentina houve forte aumento das tentativas de golpe (25%). Acredito que este contexto esteja ligado aos impactos da pandemia nos países e em como o cibercrime reagiu, priorizando os ataques contra empresas ou nos beneficiários dos auxílios emergenciais devido à pandemia”, conclui.

Como comprar com segurança

  • Verifique o endereço (URL) antes de clicar no link – às vezes pode ser diferente do que está visível. Em caso afirmativo, acesse a página da oferta da loja digitando diretamente o endereço correto.
  • Faça compras nas lojas oficiais. Caso haja dúvida sobre a reputação da loja, faça uma busca nos serviços de reclamação.
  • Contar com uma solução de segurança com tecnologias anti-phishing, como Kaspersky Total Security, que notificará se você estiver tentando visitar uma página fraudulenta.
  • Usar senhas únicas para cada site ou serviço. Caso você use apenas uma senha, se ela for roubada, todos os serviços estarão comprometidos. Para criar e memorizar senhas fortes, use um gerenciador, como o Kaspersky Password Manager.


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Quando se fala em casa inteligente, muitas pessoas imaginam uma mansão repleta de equipamentos robustos e caros. Mas hoje essa imagem tem pouco a ver com a realidade. Na verdade, ... continue lendo »

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Queijo grátis só existe em ratoeiras, mas há anos as empresas em todo o lado têm dessensibilizado as pessoas à ideia do queijo freemium.

A abordagem freemium é especialmente prevalente na indústria de jogos. Os desenvolvedores e editores de jogos geralmente oferecem aos usuários guloseimas menores, mas genuinamente gratuitas – a expectativa é que os jogadores sejam sugados e acabem gastando em compras dentro do jogo. O vício do queijo freemium é o que os cibercriminosos estão explorando quando oferecem itens raros para o título PUBG Mobile.

Nova temporada de prêmios para PUBG Mobile

O jogo de tiro multiplayer para celular recentemente lançou uma nova temporada com itens, monstros e mecânicas importados de outro jogo popular a mesma categoria: Metro: Exodus. Assim que foi lançado, vários sites apareceram oferecendo a oportunidade de ganhar novos itens.

Páginas de phishing sorteiam por uma Lucky Spin recompensas para a nova versão do PUBG Mobile com Metro: Exodus

Páginas de phishing sorteiam por uma Lucky Spin recompensas para a nova versão do PUBG Mobile com Metro: Exodus

 

Todos eles são praticamente iguais: com temática distinta para os jogadores, com as marcas PUBG Mobile e Metro: Exodus, além de um convite para girar a roda e ganhar um dos itens descritos na suposta roleta de prêmios. Aqueles que conhecem o PUBG Mobile provavelmente estão familiarizados com este dispositivo; no início de cada nova temporada, os desenvolvedores do PlayerUnknown’s Battlegrounds oferecem a chance de obter itens exclusivos girando a roda. É chamado de Lucky Spin, e é basicamente uma loteria ganha-ganha (ou pelo menos sem perda) porque girar a roda não custa nenhum ponto, mas pode render uma nova arma incrível.

Páginas de phishing com login do Twitter ou Facebook— uma opção familiar para os jogadores de PUBG Mobile

Páginas de phishing com login do Twitter ou Facebook— uma opção familiar para os jogadores de PUBG Mobile

Para receber o item, tudo que você precisa fazer é fazer login em sua conta. Este estágio oferece duas opções familiares aos jogadores do PUBG Mobile: fazer login com o Twitter ou com o Facebook. Qualquer uma das opções, entretanto, resulta em uma mensagem de erro.

Se você tentar novamente, parecerá funcionar, mas a página solicitará informações adicionais da conta, incluindo nome do personagem, número de telefone e nível da conta do PUBG Mobile. Insira-os e o sistema retornará uma mensagem positiva: seus prêmios serão entregues em até 24 horas.

formulário para inserir dados adicionais, supostamente para verificar a conta PUBG Mobile do usuário e confirmação de que o item estará disponível em 24 horas

formulário para inserir dados adicionais, supostamente para verificar a conta PUBG Mobile do usuário e confirmação de que o item estará disponível em 24 horas

Como funcionam as páginas de phishing do PUBG Mobile / Metro: Exodus

Infelizmente para o jogador, o item nunca chegará. Todas as páginas – nossos pesquisadores encontraram 260 em apenas alguns dias, e o número continua crescendo – foram criadas por golpistas. Eles não têm nada a ver com a Tencent, desenvolvedora de PlayerUnknown’s Battlegrounds, ou os criadores de Metro: Exodus. O objetivo dos sites é roubar dados dos jogadores.

Primeiro, eles pegam as credenciais de login do Facebook ou Twitter. O cálculo aqui é que entre o desespero do usuário para obter o novo item e a omnipresença do uso de um login de rede social para outro aplicativo, suas suspeitas não serão levantadas.

Mas os golpistas vão além, pedindo informações adicionais, como número de telefone e nível de conta do PUBG Mobile, aparentemente para ajudá-los a avaliar o valor de revenda da conta.

Como evitar o phishing PUBG Mobile

Os cibercriminosos se prepararam completamente para o início da nova temporada do PUBG Mobile; as páginas com brindes de itens são muito convincentes em termos de design e ações solicitadas. Ainda assim, em uma inspeção mais detalhada, certos elementos de phishing revelam a verdade.

  • Qualquer oferta de item fora do site oficial do PUBG Mobile ou do jogo em si é quase certamente uma farsa.
  • Se a URL do site não for pubgmobile.com, não insira nada; apenas saia imediatamente.
  • Se uma promoção for real, é improvável que o desenvolvedor do jogo a mantenha em segredo. Verifique seus canais de mídia social e o site oficial do jogo. É importante ter certeza de que você está verificando as contas ou sites reais. Lembre-se também de que até mesmo sites e contas reais podem ser hackeados (o que já aconteceu – e não apenas uma vez).
  • Detectar fraudes convincentes exige muita atenção – e às vezes nem isso é suficiente. Portanto, recomendamos o uso de uma solução de segurança confiável que bloqueia páginas da Web perigosas para protegê-lo de golpes e phishing online.


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De acordo com o Panorama de Ameaças da Kaspersky na América Latina, foram registradas 1,3 milhão de tentativas de ataques de ransomware na região entre janeiro e setembro de 2020, média de 5 mil ataques bloqueados por dia. Entre os países mais atacados estão Brasil, México, Colômbia, Peru e Equador. Os principais vetores de infecção são vulnerabilidades em programas desatualizados ou em versões piratas de softwares, além do uso de senhas simples.

O histórico do ransomware na América Latina é curioso. Entre 2014 e 2017, a quantidade de ataques aumentava em média 30% por ano. Porém, após o famoso caso do WannaCry, há três anos, o interesse dos cibercriminosos diminuiu. Depois de um período de tranquilidade, esta modalidade de ataque ressurgiu em 2018 e, desde então, apresenta crescimento constante de quase 7% ao ano na região. O motivo para o ressurgimento foi a mudança de foco dos ataques: deixaram de ser massivos para se concentrar em vítimas direcionadas, como empresas, entidades governamentais e setores industriais críticos.

A lista de países mais atacados na região é liderada pelo Brasil, que registrou quase metade das detecções (46,7%). Em seguida, México (22,6%) e Colômbia (8%). De acordo com Santiago Pontiroli, analista de segurança da Kaspersky na América Latina, as más práticas das empresas e entidades governamentais permitem que ao ransomware ser ameaça real.

Software pirata

“Cerca de dois em cada três dispositivos latino-americanos apresentam vulnerabilidades críticas. De acordo com nossos dados, 55% dos computadores da região ainda usam o Windows 7 e 5%, o Windows XP. O mais assustador é que a taxa de softwares piratas é de 66% – quase o dobro da média global, de 35%”, afirma Pontiroli.

O pesquisador de segurança destaca que a situação é tão crítica na região que o WannaCry ainda é a família de ransomware número 1. “Este ataque explora a vulnerabilidade MS17-010, corrigida desde 2017, porém as organizações não a corrigem.”

Pontiroli também afirma que as senhas simples são o segundo fator para o ransomware estar ganhando relevância. Nossa análise Kaspersky mostrou também que cerca de 80% dos ataques de rede detectados na região exploram o protocolo de comunicação remota RDP (remote desktop protocol). Nela, os criminosos procuram sistemas mal configurados ou sem as atualizações correspondentes para obter o acesso ao sistema e efetuar a infecção já dentro do ambiente corporativo.

Os ataques que tentam adivinhar as senhas de acesso ao protocolo RDP somaram 517 milhões na região de janeiro a setembro deste ano, média de 1,4 mil bloqueios por segundo.

Há também uma novidade que caracteriza os ataques de ransomware mais recentes: a dupla extorsão. “Embora as campanhas atuais tenham menos vítimas, elas atuam em duas etapas: primeiro, o criminoso cobra o resgate dos dados e, caso a empresa não aceite pagar, o valor do resgate aumenta. Aí começa a segunda parte da chantagem: ameaça de tornar públicos os dados roubados. Há ainda uma terceira alternativa para monetizar o ataque – a venda dos dados roubados em um leilão. Neste caso, tanto a empresa quanto qualquer outra organização (legal ou criminosa) terá acesso aos dados sigilosos da corporação atacada”, explica.

Dicas de proteção para empresas

  • Mantenha todos os programas e sistemas operacionais atualizados com a última versão. Não usar softwares piratas, pois a economia não justifica a perda econômica gerada por um ciberincidente.
  • Realizar treinamentos de conscientização de segurança, principalmente para explicar aos funcionários os riscos de abrir links, sites e arquivos anexos suspeitos a partir de equipamentos corporativos, além de recomendar a criação de senhas complexas e diferenciadas.
  • Impor o uso de uma conexão segura (com o uso de uma VPN) para acessar remotamente qualquer recurso da empresa.
  • Adotar uma solução de segurança de qualidade, configurada para detectar comportamentos suspeitos, e que permita a reversão automática de arquivos – estas são tecnologias de proteção específicas para o combate ao ransomware.
  • Tenha cópias de segurança (backups) de seus dados, tanto off-line como em serviços de nuvem de qualidade para evitar que também sejam criptografadas.
  • Em caso de infecção, consulte o serviço ‘No More Ransom‘, parceria da Kaspersky com a Polícia Nacional Holandesa, a Europol e a McAfee, e que fornece recursos úteis para as vítimas desta ameaça.


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